Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
A ALTERNATIVA

A entrevista de Manuela Ferreira Leite ao Público e à Renascença demonstra o que está politicamente em jogo no ano de 2009. Desde o primórdios do regime que a esquerda tem assumido uma superioridade moral sobre a direita no que se refere a políticas de cariz social e no respeito para com os mais pobres. Isto acabou.

Acabou essencialmente porque o governo socialista faz depender o crescimento económico dos gastos do Estado. Do investimento directo ou indirecto do Estado. O governo não entende que lhe cabe facilitar a contratação, mas que deve, ele próprio, incitar à contratação. Que o Estado, com o governo a dar o mote, deve ser o motor da economia. Daí o Eng. Sócrates dizer que o TGV cria postos de trabalho. Só assim se compreende o enorme 'favor' do governo à JP Sá Couto e o aumento dos funcionários públicos em 2.9%, um valor muito acima ao da inflação. Um aumento impensável para os que trabalham nas pequenas e médias empresas e que não sabem se terão trabalho daqui a um ano.

Esta perspectiva empresarial do Estado não está errada apenas por desvirtuar o sistema económico. Falha porque o dinheiro gasto em aventuras empreendedoras, constituem verbas que seriam melhor empregues no garante da solvência dos subsídios de desemprego, sem que tal implicasse uma subida dos impostos, a médio prazo. Erra, porque os défices públicos (cujo controle o governo já esqueceu) obriga a taxas de juro mais elevadas, deturpando o mercado de acesso ao crédito e originando ainda mais desemprego.

Quando Manuela Ferreira Leite, em vésperas de eleições, afirma que poderá congelar os salários dos funcionários públicos, não demonstra apenas a sua superioridade perante o  Eng. Sócrates. Ela chama-nos a atenção para os muitos portugueses que sofrem na pele as benesses que o primeiro-ministro concede a grupos, sejam eles funcionários públicos ou empresários seleccionados, devido apenas ao seu valor eleitoral. Remete-nos para outra forma de encarar a economia que não seja centralizada e deixa-nos pistas para sairmos do buraco que é o endividamento em que nos encontramos há anos.
 


publicado por André Abrantes Amaral às 14:29
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6 comentários:
De Stran a 18 de Maio de 2009 às 15:16
"Falha porque o dinheiro gasto em aventuras empreendedoras, constituem verbas que seriam melhor empregues no garante da solvência dos subsídios de desemprego, sem que tal implicasse uma subida dos impostos, a médio prazo"

Dois pontos:

1) Se gasta as mesmas verbas como é que não implica uma subida de impostos de médio prazo?

2) Em que estudo é que se baseia para chegar a essa conclusão?


De quatro_tempos a 18 de Maio de 2009 às 15:28
Como é que estes comentadores todos ( estão na bancada )
Não estão a governar o país ??
Isto é que vai aqui uma açorda com tanto caga sentenças !!


De Daniel S a 18 de Maio de 2009 às 16:27
Meu deus...

Mizena? Consultem http://predadator.mybrute.com/ e vejam o que é Mizena! ;)


De Carlos Santos a 18 de Maio de 2009 às 17:41
Caro André Amaral,

Não será uma surpresa muito grande eu não concordar com o receituário económico que sugere. Mas a bem da oportunidade de debate, deixo-lhe a ligação para a minha resposta. Poderá sempre apagar, se achar SPAM, ou tentar desconstruir os meus argumentos, num saudável diálogo.
Cá fica: http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/05/nao-investir-para-pagar-subsidios-de.html
Saudações,
Carlos Santos


De Joana Konessa a 18 de Maio de 2009 às 23:53
Farta das Economias da Tia Manuela ando eu! A bem dizer, já estou como o Andegué e os seus célebres charutos. O que eu ganho na função pública não dá nem para o Chá Nel n.º 5. Pindéricos!


De nehalem a 21 de Maio de 2009 às 15:01
Porque será que o meu comentário não aparece?
A "moderação" não gostou das minhas questões?
É pena... a meu ver eram pertinentes mas, posso estar errado e não serem.... errrr... convenientes?!
Volto a insistir:
«Depende do que se entende por «congelar os salários dos funcionários públicos».
É que há funcionários públicos de primeira, de segunda ou terceira, i.e. as chefias ganham montantes exorbitantes para um pais como o nosso pobre e com poucos recursos, enquanto a maioria dos f.p . ganham salários um pouco acima dos do privado.
Porquê nivelar por baixo?
Porque não se acabam de vez com os supérfluos, ou mordomias despesistas típicas de países em vias de "subdesenvolvimento" (3º ou 4º mundo)?
Porque será que a moda agora é estágios e primeiros empregos NÃO REMUNERADOS para os actuais recém-licenciados?
Realmente parece que a escravatura voltou em força em pleno século. XXI!
Será que não há outras formas de equilíbrio neste país senão o recurso ao aumento de imposto ou congelamento de salários da maioria dos cidadãos?
Tomo a liberdade de dar alguns exemplos:
Porque será que a classe política não dá o primeiro passo e não aperta também ela o cinto? Acabem-se com os tachos dos "boys" (sem mérito e sem competências) que em nada enriquecem o país, antes pelo contrário.
Haja coragem para se acabarem com os Reguladores que mais não fazem do que seguir os interesses dos "regulados" (EDP; águas; combustíveis; câmaras; concessionários, etc...); e Governadores Civis e tantos outros "cargos" políticos.
Porque será que o salário "pornográfico" do Gov. do BdP é o que corre por aí, centenas de milhares de euros, escandalosamente superior aos vencimentos dos seus homónimos dos EUA?
Porque não se evitam as derrapagens em todas as obras públicas deste país?
Porque não se acabam com os ajustes directos escandalosamente concedidos e concebidos nestes últimos anos?
Porquê tantos deputados na AR?
Porque é que a Justiça não funciona?
Porque é que Portugal vive em crónica crise?
Porque se mantém a mixórdia entre público e privado?
Porque é que os deputados no PE (PSD/CDS-PP) votaram maioritariamente a favor dos ISP?

Honrando a memória de F. Sá Carneiro e Adelino A. da Costa!»


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