Terça-feira, 19 de Maio de 2009
No rescaldo do Nicola

Eu não acredito em homens e mulheres providenciais, predestinados, esclarecidos, enfim, com uma qualquer qualidade intrínseca que os habilite a decidir os destinos dos menores companheiros de espécie. Desconfio sempre da decisão de outros sobre parte ou todo da minha vida. Não tenho dúvidas nenhumas de que a minha decisão sobre mim será sempre melhor do que a decisão de quem me é estranho, não tem toda a informação necessária e provavelmente também não terá grande capacidade de discernimento para tomar a melhor opção para mim. É por isto que sou liberal e reclamo o máximo de graus de liberdade para a minha vida. É também por isto que não espero encontrar um político arrebatador que preencha plenamente qualquer deficiência político-afectiva de que eu possa padecer. (E, se calhar, por muito que tenha prazer na coisa política, há partes da vida que merecem as emoções mais intensas).

 

Não concordo totalmente com o que Paulo Rangel nos disse ontem sobre os seus valores e sobre a Europa - particularmente sobre esta última. Não sou federalista, acho que a PAC é um dos cancros mundiais que devia ser amputado da UE, vejo com preocupação a fúria normalizadora e hiper-reguladora da UE e penso que nos deveriam deixar respirar antes de pensarem em maior integração política ou económica. Há contudo concordâncias: não tenho certezas quanto à Turquia (pendo para a adesão), o que foi dito quanto às relações externas da UE pareceu-me muito bem, a prudência quanto aos novos alargamentos também. E há o resto: a qualidade do pensamento de Paulo Rangel, a disponibilidade para responder a todas as perguntas, a segurança de apresentar as suas ideias próprias e fundamentadas mesmo quando (ou sobretudo quando) heterodoxas.

 

Para mim razões suficientes para votar no PSD a 7 de Junho.


publicado por Maria João Marques às 22:07
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9 comentários:
De kruzeskanhoto a 19 de Maio de 2009 às 23:16
A Turquia na UE? Bom, talvez. Se primeiro regularem a maneira de rezar em todo o espaço europeu - assim como fazem com o teor do sal nos alimentos e outras coisas que tais - é que malta que reza de cú para o ar...


De Maria João Marques a 19 de Maio de 2009 às 23:23
Boa noite, Kruzes! É bom vê-lo aqui (e a fazer-me rir!). Pois claro que as minhas reticências com a entrada da Turquia também se prendem com o risco de termos na UE um país que se pode tornar (sabe-se lá como é o futuro) mais radicalmente islâmico. E há divergências intransponíveis entre os valores europeus e o que se passa nos países islâmicos.


De Sousa Meireles a 20 de Maio de 2009 às 00:47
Essa não entendi. A PAC é um dos cancros mundiais que devia ser amputado da UE, porquê? Isto de adjectivar sem explicar não permite perceber a sua linha de racicínio. Gostaria de perceber a razão de afirmar o que afirmou.

Cumprimentos
Sousa Meireles


De Maria João Marques a 20 de Maio de 2009 às 12:12
Caro Sousa Meireles, a PAC, com a sua política de subsídios, leva à sobre-produção de alimentos na Europa (porque a sua rentabilidade após-subsídios é muito superior à rentabilidade real). Além de este factor já ser suficiente para abandonar a PAC, há ainda a agravante que, na minha opinião é mesmo criminosa, de impedir as exportações para a UE de bens alimentares pelos países menos desenvolvidos (que poderiam assim desenvolver esta indústria e permitia aos europeus ter bens alimentares mais baratos) ou até vender os excessos de produção da UE nos mercados internacionais a preço da chuva e assim matando a agricultura de alguns países pobres.

É claro que a UE deve ter algum nível de auto-suficiência alimentar (foi para isso que se criou a PAC, depois da escassez de alimentos da IIGM) - e Paulo Rangel defendeu este ponto, e bem - mas actualmente a PAC é vítima do seu próprio sucesso e está a prejudicar europeus e o resto do mundo.


De Sousa Meireles a 20 de Maio de 2009 às 22:57
Cara Maria João Marques,

O seu ponto de vista é interessante, mas merece-me muitas reservas. Os EUA fazem algo idêntico com os cereais. Quanto a rentabilidades, creio que anda um pouco enganada. Veja os preços de compra ao produtor de coisas simples como o Azeite, o tomate ou a laranja.

Na minha modesta opinião a UE deve ter um nível de auto-sufiência alimentar muito próximo dos 100%. Aliás, essa falta de auto-suficiência é um dos maiores problemas de Portugal. Coloca desde logo em causa a nossa soberania. Todavia, concordo que a política de subsídios da PAC está hoje desajustada da realidade.

Cumprimentos,
Sousa Meireles


De Maria João Marques a 20 de Maio de 2009 às 23:15
Sim, os EUA também têm uma agricultura muito protegida. Quanto ao preço de compra ao produtor, é certo que em alguns casos torna a agricultura uma profissão de (ainda) mais risco - tenho tios no Alentejo com produção de tomate e azeitona, por exemplo, que se queixam. Mas, lá está, eu defendo a concorrência e se houvesse quem vendesse produtos mais baratos à UE, penso que ficaríamos todos mais bem servidos do que com o que sobre-produzimos e gastamos, ainda que muita da nossa agricultura tivesse que se reconverter.

Diferente é a questão da auto-suficiência económica, que eu também considero importante e estratégica. Mas esse já não é o problema que se coloca actualmente à UE.

Cumps.


De nehalem a 20 de Maio de 2009 às 03:49
Crisis as a way to build a global totalitarian state: http://en.fondsk.ru/article.php?id=2070


De Maria João Marques a 20 de Maio de 2009 às 23:19
Talvez um governo global seja exagerado, mas é certo que muitos estão a aproveitar a recente crise para estatizar e hiper-regular e, assim, transferir liberdade de decisão dos agentes para os burocratas.


De Maria a 22 de Maio de 2009 às 11:17
Deus me livre de tal coisa!! apre!!!


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