Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
Os keynesianistas e o monstro

Em 2005, os Impostos aumentaram 3,4 mil milhões de euros, para financiar o aumento da despesa corrente de 4,1 mil milhões de euros.

Em 2006, aumentaram o mesmo valor, para financiar o aumento da despesa corrente de 2,1 mil milhões de euros.

Em 2007, aumentaram 4,1 mil milhões de euros, para financiar o aumento da despesa corrente de 2,4 mil milhões de euros.

Em 2008, aumentaram 2,0 mil milhões de euros, para financiar o aumento da despesa de 3,8 mil milhões de euros. Em 2009, era previsto que os Impostos aumentassem 3,0 mil milhões de euros, para fazer face ao aumento da despesa corrente de 4,1 mil milhões de euros.

Em termos de PIB, os impostos, mesmo excluindo as contribuições para a segurança social foram abocanhando uma parcela cada vez maior: de 22,7%, em 2004, passaram a 23,5% em 2005, a 24,2%, em 2006, a 24,8%, em 2007 e 2008 e a um montante que ultrapassará largamente os 25% em 2009. Caso tivessem, excluindo a Segurança Social, crescido apenas ao ritmo da taxa da inflação, o valor arrecadado seria inferior em mais de 6 mil milhões de euros. Seis mil milhões que aguentariam a economia a um nível mais elevado e mais defendida da crise. Crise para a qual muito contribuíram as engenharias keynesianistas de que este Governo usa e abusa. E não falo em políticas keynesianas, porque, chamar-lhe isso, faria Keynes revolver-se na tumba. Keynes nunca as preconizaria neste momento, face ao nível da despesa pública, ao endividamento do Estado, à necessidade de investimento privado e às dificuldades de financiamento da economia. A política de drenagem crescente de meios da economia para alimentar o monstro das finanças públicas é, de há anos, uma das mais importantes causas da nossa divergência face à Europa. O governo é responsável e merece ser castigado nas próximas eleições. Mesmo sendo as Europeias.


publicado por a. pinho cardão às 21:43
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13 comentários:
De Stran a 20 de Maio de 2009 às 23:05
Gostava de pedir, se fosse possivel, que nestes artigos com valores concretos se era possivel colocar o link para onde foram buscar a informação (facilitava bastante o debate).


De a. pinho cardão a 20 de Maio de 2009 às 23:27
Os números base são retirados dos Relatórios que acompanham o OE para 2007, 2008 e 2009.
Depois, é fazer as contas aos acréscimos e referenciá-los com o PIB e a inflação.


De Carlos Santos a 21 de Maio de 2009 às 04:03
EU confesso que além de tirar números sem nexo, ainda não percebi a sua tese económica, e olhe que foram 5 anos em Oxford e mais alguns no BCE. Mas deve ser defeito meu.
Uma nota: a línguagem económica consagrou a expressão keynesiano(a) em português. Keynesianista é o quê? A sua mistura de eanista com keynesiano?
Isto vai dar um post delicioso.


De a. pinho cardão a 21 de Maio de 2009 às 10:27
Caro Carlos Santos:
Lamento que os 5 anos em Oxford não o tenham ensinado a ler e a interpretar português.
Disse políticas keynesianistas, e podia dizer keysenianeiras, para as distinguir de políticas keynesianas, as autênticas, as de Keynes. Isso está devidamente expresso no texto. Políticas keynesianas não as aplicaria Keynes em Portugal, neste momento. Como expliquei.
Por isso, meu amigo, as políticas keynesianeiras deste governo são definitiva e rematada asneira. E deixo-lhe a sugestão de nunca comentar sem ler o que comenta. Boa doutrina de Oxford...


De Carlos Santos a 21 de Maio de 2009 às 14:47
Isso é a clara desculpa a posteriori de mau pagador. O que me leva a concluir que você não sabe sequer o que é o keynesianismo. Típico dos politiqueiros de interesse.


De Rui Oliveira a 21 de Maio de 2009 às 15:35
Há pessoas que não sabem mesmo ler. Porra!!!


De a. pinho cardão a 21 de Maio de 2009 às 16:33
A esse nível, termino a discussão.
Não sem antes dizer que não vivo da política, nunca vivi da política e, pessoalmente, não preciso da política para nada. Perceba bem, não vivi da política, não vivo da política, não preciso dela, pessoalmente, para nada!...Não sigo ninguém, a não ser as minhas convicções. E apoio aqueles com quem possa no essencial concordar.Posso falar de forma independente e livre, totalmente independente e livre. Sempre o fiz, faço e farei.


De Stran a 21 de Maio de 2009 às 18:27
Oi A. Pinho Cardão,

por favor não termine a discussão que eu fiquei com duvidas. É que eu fui ao relatório que falou só para aferir do que tinha duvida e centrei-me no ano de 2007 e continuo sem saber onde é que foi buscar o valor de 4,1 mil milhões de Euros para 2007.

Eu passo a explicar, eu fui ao relatório que acompanha o Orçamento de 2009 e na rubrica das receitas, nomeadamente, receitas fiscais (pag. 119):

- o incremento para 2007 é de 2.78 mil milhões de Euros;

- se introduzir as contribuições para a Segurança Social então o diferencial é de 3.39 mil milhões de Euros o que ainda é substancialmente diferente dos 4.1 que tinha apontado para 2007;

- só quando entro em linha de conta toda a Receita Corrente é que consigo entrar na casa dos 4 m.M., mas por excesso, ou seja o incremento foi de 4.75 mil milhões de euros.

No entanto, e analisando este ultimo valor de Receitas Correntes, se for analisar o Relatório do orçamento de 2008 verificará que tinha lá inscrito (como estimativa) (pag.94) um incremento de 2.51 mil Milhões apenas e:

- como não tenho memória de ter sido criado um imposto extraordinário;

- nem existiu, que eu tenha memória, um crescimento económico muito acima do esperado;

Apenas posso concluir que a máquina fiscal foi mais eficiente do que o que estava à espera. Conseguindo cobrar mais do que estava à espera.

Ora, ou você foi buscar valores a locais diferente do meu, ou acabou de fazer a apologia de que o Estado deveria ser ineficiente!

Ou seja ao contrário do que indica, não existiu um significativo incremento da taxa fiscal, apenas começamos a ser mais eficientes na cobrança dos impostos, o que até parece positivo.

Mas isto digo eu, que não sou economista...

Fontes:
Relatório Orçamento 2009: http://www.dgo.pt/oe/2009/Proposta/Relatorio/rel-2009.pdf

Relatório Orçamento 2008: http://www.dgo.pt/oe/2008/Aprovado/Relatorio/Rel-2008.pdf


De a. pinho cardão a 21 de Maio de 2009 às 23:18
Caro STRAN:
OE para 2009, pág. 119, quadro IV.1
A Receita fiscal para 2006, 2007 e 2008 é, em milhar de milhões de euros, de 37,7, de 40,4 e de 41,8, respectivamente. As contribuições para a Segurança Social foram de 19,3, de 20,7 e de 21,3. No total, Impostos +Contribuições foram de 57 mil milhões, de 61,1 milmilhões e de 63,1 mil milhões. Portanto, o incremento foi de 4,1 mil milhões em 2007 e de 2 mil milhões em 2008.
No mesmo quadro, a Despesa Corrente é de 66,6 mil milhões, de 69 mil milhões e de 72,8 mil milhões, de 2006 a 2008.
Portanto, acréscimo de 2,4 mil milhões em 2007 e de 3,8 mil milhões em 2008.
Os valores referentes a 2005 constam do Quadro III.1.1pág. 84 do OE para 2007: 53,446 mil milhões de receita fiscal e de contribuições para a segurança social. A Despesa Corrente é de 64,339 milmilhões de euros.
Portanto, o incremento em 2006 foi de 3, 6 mil milhões nos Impostos e de 2,3 mil milhões na Despesa Corrente (ligeiramente acima do referido).

Os valores referentes a 2004 constam do quadro 3.2.1 pág. 59 do OE para 2006.
Receita Fiscal + Contrib. S. Social= 50,316
Despesa Corrente=59,367
Portanto, incremento de 3,1 milmilhões nos Impostos e de 4,9 mil milhões na Despesa Corrente.
Diferem estes últimos valores dos apresentados, na Despesa para mais , nos Impostos um pouco a menos e isso tem a ver com a recolha dos números. Como é natural, o relatório respeitante ao OE de 2006 tem números mais actualizados do que os que constam da estimativa constante do OE para 2005.
Creio ter ido de encontro às suas dúvidas. E obrigado pela atenção dispensada.


De Stran a 22 de Maio de 2009 às 11:27
Bom dia,

Muito obrigado pelo esclarecimento, e tenho de fazer a mea culpa e dizer que o meu artigo anterior tinha um erro.

Onde está "as contribuições para a Segurança Social" devia de estar "outras receitas correntes".


Tinha ficado com a ideia quando se tinha refirido a "os impostos, mesmo excluindo as contribuições para a segurança social " que tinha também sido a sua metodologia.

Uma vez mais obrigado pelo esclarecimento.


De a. pinho cardão a 22 de Maio de 2009 às 22:51
Não tem de quê. De disputas honestas, gosto.


De ente lectual a 21 de Maio de 2009 às 05:43
não devia ser keynesianos?


De a. pinho cardão a 21 de Maio de 2009 às 10:29
Meu caro ente lectual:

Claro que é keynesiano.
Mas keynesianista ou keynesianeiro é este governo...


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