Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
O virtual e a virtude

1. O Rodrigo (Moita de Deus, of course) é irritantemente brilhante nas suas apresentações. Não gosto de tê-lo sentado ao meu lado como hoje, porque afecta a minha auto-estima. Dito isto, a verdade é que por vezes me interrogo se aqueles que riem nos momentos por ele criados para isso mesmo no seu discurso se apercebem, em simultâneo, das coisas graves que diz. 

«A nossa linguagem está cada vez mais distante», terminou ele por dizer. Entenda-se: a dos políticos e a de quem trabalha a comunicação política. Hoje, entre ele e Diogo Vasconcelos, a ocasião permitiu um diagnóstico exemplar do que falta fazer em Portugal para reduzir essa distância através da chamada Política 2.0. 

Para o Rodrigo, falta a capacidade de olhar mais atentamente para os media online e criar um discurso adequado àquilo que as pessoas pretendem. Em suma, o desafio é o de, sem desvirtuar a mensagem, saber fazer dos canais existentes ferramentas de comunicação com capacidade viral.

Para Diogo Vasconcelos, o caminho a seguir é o de uma abertura da informação ao público por parte do Governo e da Administração Pública, por forma a que os diferentes grupos de cidadãos possam organizar-se de forma participativa e criadora num modelo político 2.0 onde os dados sejam, mais do que informação bruta em si, algo gerador de comunidades melhores.

Esta é a minha síntese do que ouvi hoje de manhã. E só lamento não ter permanecido para ouvir a fase de debate e as conclusões de Paulo Rangel e Ferreira Leite. Outros valores mais 1.0 se interpunham. 

 

2. Pouco depois de sair da Fundação das Comunicações soube da morte de João Bénard da Costa. O que com ele se perde não poderá ser colmatado. O que ele sabia e a forma como o transmitia é algo que nenhum mundo 2.0 recuperará. Partiu com ele, deixando uma infinitésima parte na frágil memória de muitos, outra em alguns livros, outra ainda em muitas páginas de crónicas e críticas...Era um homem do cinema, um homem do papel. Em lugar do virtual, tinha a virtude.  

 

P.S. Entretanto, e numa ligação umbilical com o discurso de Diogo Vasconcelos, o meu amigo Francisco Almeida Leite e Marcelo Rebelo de Sousa debatem hoje à tarde «O Acesso à Informação Administrativa». Detalhes aqui na minha outra casa.


publicado por João Villalobos às 14:23
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