Há gente irresponsável que opta por não votar. É coerente. Há gente com responsabilidade pública que não só não vota, como apela à abstenção. Estas pessoas, entre eles alguns opinadores, desprezam o voto. Têm-lhe uma raiva incontida, dão-lhe um significado diminuto. São, por outras palavras, uns ingratos de merda.
Poucos portugueses lutaram para que muitos pudessem votar um dia. O mínimo que estes milhões poderiam fazer era honrar essa conquista. Infelizmente não o fazem. Depois não se queixem.
Bernardo Pires de Lima, no União de Facto
De Joaquim Amado Lopes a 30 de Maio de 2009 às 01:03
Espero bem que tenha reproduzido este artigo como um exemplo de até que ponto um post pode ser cretino.
Bernardo Pires de Lima esquece-se que são muitos os que dizem ter lutado contra a ditatura mas, desses, uma boa parte não estava - nem está - minimamente interessado na liberdade. Na liberdade de quem não concorda com eles, quero dizer.
Votar é um dever cívico e quem não vota, mesmo que em branco ou nulo, perde uma boa dose de legitimidade para se queixar dos políticos.
Mas liberdade é também cada um poder escolher a forma como manifestar o seu protesto pela fraca qualidade das escolhas que lhe são colocadas ou o seu desinteresse por essa escolha.
O tom do post de Bernardo Pires de Lima revela claramente o tipo de intolerância dos que não convivem de boa vontade com aqueles que não votam "bem" (leia-se "como eles").
A liberdade para votar é exactamente a mesma que dá a cada um o direito de decidir fazer o contrário. Bernardo Pires de Lima parece ter dificuldade em o perceber.
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