Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Um sistema de saúde que prejudica os pobres

Para Vital Moreira, “o PSD declarou guerra ao Estado social”. O cabeça de lista do PS diz-nos que o PSD defende um sistema misto para a educação e a saúde e a privatização parcial da segurança social. O resultado, de acordo com Vital Moreira é que “pagaríamos todos as clínicas privadas para os ricos, as escolas para os ricos e a segurança social de onde os ricos tinham saído”.

De acordo com Vital Moreira, todos devem pagar a saúde pública e esta deve ser de acesso gratuito para todos. Isto sucede com pobres, classe médias e com os ricos. Com os que precisam e com os que não precisam. O resultado são as longas filas de espera, a deficiente prestação de cuidados de saúde e a busca de outras soluções (hospitais privados) mais rápidas, mais eficientes, mas que só quem tem dinheiro consegue pagar. De acordo com o sistema socialista que Vital Moreira defende, os ricos conseguem libertar-se dos hospitais públicos, mas os pobres são condenados a serem assistidos por eles. Os ricos têm alternativa; os pobres não. A desigualdade social reduz-se a isto e é causada pela visão dogmática com que a esquerda vê sociedade.

Outro caminho poderia ser o de possibilitar a quem o prefira, a utilização dos serviços de saúde privada, libertando, dessa forma, os hospitais públicos que poderiam concentrar os seus esforços nos que não têm escolha. Tal opção da parte dos que têm mais posses, implicaria uma redução parcial dos seus impostos. Parcial, porque continuariam sempre a contribuir para um serviço nacional de saúde que cuidasse dos mais desfavorecidos. Se há conceito de justiça social, deveria ser este.

Justiça social não é obrigar todos a beneficiar de um serviço de que os mais desfavorecidos dependem, mas que os mais ricos prescindem. Justiça social deveria ser qualidade. Liberdade de escolha. Possibilidade de optar. Mas isso é algo que o socialismo nunca permitiu.
 


publicado por André Abrantes Amaral às 11:38
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14 comentários:
De Stran a 3 de Junho de 2009 às 12:45
"Justiça social deveria ser qualidade. Liberdade de escolha. Possibilidade de optar."

Estranha conclusão quando acabaste de defender que uma parte da população deve ser proibida de utilizar o SNS.


De AntonioCostaAmaral (AA) a 3 de Junho de 2009 às 13:19
Bom texto André, muito Hayekiano :)


De Carlos Santos a 3 de Junho de 2009 às 16:39
Pois, mas Hayek não é em si mesmo um modelo de justiça social pois não?


De Miguel Noronha a 3 de Junho de 2009 às 19:34
"Social justicedoes not belong to the category of error but to that of nonsense, like the term 'a moral stone"'

Friedrich Hayek


De Carlos Santos a 3 de Junho de 2009 às 20:49
Ou seja, Hayek e justiça social, como tinha dito não são compatíveis.


De Miguel Noronha a 3 de Junho de 2009 às 21:07
óptimo.


De Carlos Santos a 3 de Junho de 2009 às 16:37
Caro André Abrantes Amaral,

Partindo do princípio, que é aberto à crítica e ao debate, aponto-lhe o que julgo serem as falhas da sua tese em post no meu espaço. Verifique se quiser.
Carlos Santos


De Miguel Noronha a 3 de Junho de 2009 às 19:27
Grande calinada do Carlos Santos com a questão das filas de espera. Se lá na faculdade lêm isso arriscada a ser bastante gozado.


De Carlos Santos a 3 de Junho de 2009 às 20:47
Isto é tão básico que você deve perceber.
Tem 2 servidores no modelo A, um público e um privado. Se os ricos vão para o privado e os pobres para o público, o tempo de espera dos pobres diminiui. Compreendeu até aqui?
Se só tem um servidor o tempo de espera de todos aumenta!
A solução do André Abrantes Amaral passa por 2 servidores tal como a do Vital. Mas muda o financiamento.
Diga lá onde está a calinada, se não vem cá só mandar bitaites?
Carlos Santos


De Miguel Noronha a 3 de Junho de 2009 às 20:52
Vai mesmo ser gozado. Não há dúvida.
Vá reler os apontamentos de economia industrial para perceber porquê.


De Carlos Santos a 3 de Junho de 2009 às 21:00
Meu caro,

Filas de espera são um problema estatístico. De investigação operacional se quiser. Apanha-se mais depressa um insurgente ignorante que um outro tipo de ignorante qualquer.


De Miguel Noronha a 3 de Junho de 2009 às 21:09
Boa! Insista. Quanto mais comentários melhor.


De AntonioCostaAmaral (AA) a 4 de Junho de 2009 às 14:00
Mas que baboseira. Filas de espera são um problema de _operações_. A estatística é só uma ferramenta. Modelos só podem _descrever_ - com limitações - a realidade.

Confundir a realidade - o que _existe_ - com o modelo - uma abstracção teórica - leva a comportamentos intelectualmente absurdos. Por exemplo, de rejeitar a realidade porque o modelo diz o contrário. Ou de explicar com o modelo aquilo que o modelo não modela.


De Carlos Santos a 4 de Junho de 2009 às 14:31
Não vá por aí. As filas de espera em que está a pensar são modelos de investigação operacional. Qualquer procedimento estatísticos bem desenhado parte de uma análise oposta à sua: dos dados para o modelo. Isso é epistemologia da estatística. Recomendo-lhe que leia sobre general to specific models, por exemplo. E sobre a teoria da redução.
Agora, o que se diz sobre filas de espera no post do AAAmaral implica o mesmo tempo médio de espera para atendimento. Tão simples quanto isso.
De resto, recomendo-lhe um livro, ou numa versão short o que escrevi no meu blog sobre o assunto.


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