Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
So far

Uma coisa é certa: ninguém há um mês e meio esperava que o PSD estivesse a discutir a vitória destas eleições taco a taco com o PS. Não esqueçamos o incidente que deu nome a este blogue, em que o sempre elegante Manuel Pinho apontou uma suposta necessidade de papa maisena em Paulo Rangel, falando de forma paternalista e trocista do cabeça de lista do PSD. Esta noite, e nas anteriores, todos os comentários iam no sentido de atribuir o sucesso da campanha a Paulo Rangel (também para menorizarem Manuela Ferreira Leite, já que perceberam finalmente que a senhora pode ser avó mas está longe de ser ingénua ou politicamente ineficaz). E este resultado imprevisto revela que os eleitores estão somente à espera que o PSD se organize para enviarem os socialistas para reciclagem. E, convenhamos, dados os últimos anos em convulsões permanentes e em mudanças de líderes, com até há bem pouco (ontem) farpas provenientes de quem está apostado em recolher destroços do PSD depois das legislativas, Manuela Ferreira Leite conseguiu um resultado surpreendente: em apenas um ano, com oposição sonora interna, pegando num partido em cacos, com uma comunicação social hostil, está a disputar vitórias eleitorais. Não é por acaso e não é por sorte. É por mérito. De Manuela Ferreira Leite. E, claro, falta de mérito. De José Sócrates.


publicado por Maria João Marques às 00:07
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5 comentários:
De clara a 5 de Junho de 2009 às 07:19
Só falta, depois da derrota de Domingo, o PSD venha dizer que ganhou as eleições...Ah ah ah ah ah ah


De Maria João Marques a 5 de Junho de 2009 às 10:51
Clara, aguardemos por Domingo, que a abstenção pode baralhar muita coisa. E de algo pode estar certa: mesmo que ganhe por pouco, isto éuma tremenda derrota para Sócrates e PS.


De Joana a 5 de Junho de 2009 às 09:24
Esta campanha eleitoral foi o que foi. Má, muito má se vista na óptica da mensagem política, da luta ideológica, do esclarecimento. Começou com Vital Moreira a apelar que se falasse na Europa. Receava que as eleições se transformassem na primeira volta das legislativas. O que era mau nos dias que correm. Paulo Rangel, em resposta, disse alto e a bom som, que o queriam amordaçar: José Sócrates e o seu governo estariam no centro das suas preocupações. Vital Moreira tem aquele ar pesado, cinzento mesmo, e é um académico no discurso, mas não é parvo. Transporta muitos anos de política em cima das costas. Se a discussão era sobre temas internos, ele também sabia como tratar o assunto. E teve uma pontinha de sorte: Oliveira e Costa é que escolheu o momento de ir ao Parlamento falar sobre o BPN e o Expresso é que escolheu aquela manchete de primeira página a meio da campanha. Vital Moreira, como um bom surfista, só teve de cavalgar a onda. Rangel ficou, a partir daí, atabalhoado. Menos acutilante. Diminuído. Em poucas palavras: perdeu o gás. Tentou ripostar com o Mota do Eurojust. Mau negócio. O Mota não interessa a ninguém. Fora as elites, ninguém quer saber sobre tricas entre magistrados do Ministério Público. Mas a história do BPN diz respeito a mais de duzentos mil depositantes e a todos os contribuintes. E Vital Moreira fez render o peixe. O 1º de Maio conteve o crescimento dos comunistas do PCP e do BE. O BPN conteve o crescimento do PSD. O «ódio» político-pessoal de Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel a José Sócrates compuseram o ramalhete: esvaziaram-lhes a lucidez. O que seria previsível era o PSD ganhar estas eleições por todos os motivos e mais algum. Era a penalização quase inevitável da governação em tempos de crise. Sobretudo nestas eleições, como acontece em outros países, nomeadamente Em Espanha, no Reino Unido, na Alemanha. Vital Moreira fez uma tal gestão dos temas e dos tempos que se arrisca a ganhar estas eleições lançando o PSD no purgatório. Há quem diga que José Sócrates fez uma má escolha ao apostar em Vital Moreira. Penso que quem assim pensa ainda não percebeu o que se está a passar. Sobretudo, não percebe que Paulo Rangel não esteve à altura deste pequeno desafio. Mas, a prova dos nove, chega às oito horas de Domingo. Aguardemos.








De Maria João Marques a 5 de Junho de 2009 às 10:50
Joana,era previsível que o PSD ganhasse?! Em que país? Do que eu li e ouvi, o PS ganharia sem se esforçar muito - daí a escolha do péssimo candidato - e a extrema-esquerda teria uma votação assombrosa.

Mas numa coisa concordamos: Vital, apesar do cinzentismo, provou que é um bom seguidor de Sócrates e não se preocupa de descer ao lodaçal.


De Paulo Ribeiro a 5 de Junho de 2009 às 20:02
muito bem visto.


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