Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Porque há ocasiões em que temos mesmo de fazer política

Pois, cá estou eu, a integrar pela primeira vez um blogue de apoio a uma candidatura política.

 

Por princípio, nunca participei em iniciativas de cariz político, embora desde longa data que as minhas simpatias laranjinhas sejam por demais conhecidas. Na verdade, faço parte daquele núcleo de cidadãos que tornam as eleições maçadoras: no dia das votações, as minhas dúvidas existenciais resumem-se a saber se voto de manhã ou de tarde; a cruzinha, essa, acaba sempre por ser colocada a crédito do PPD-PSD.

 

Noto que esta fidelidade ao PSD nunca se traduziu, no meu caso, numa filiação acrítica, ao bom estilo marxista. Acaba, antes, por ser um confortável e pragmático reconhecimento que, em Portugal, e na ausência de um partido onde ideologicamente me reveja, o PSD é a força política com maior capacidade reformadora, que mais valoriza o esforço e o trabalho, que mais confia nos cidadãos.

 

Desde há uns meses, porém, que mudei de atitude. Embora a minha vida pessoal e profissional, pela exigência a que estou sujeito por estes dias, me aconselhassem a distanciar-me de uma maior participação política, algumas circunstâncias levam-me a fugir do comodismo e da prudência.

 

Desde logo, o estado preocupante em que se encontra a governação e a esfera pública em Portugal. Em clara degradação, dá-se espaço de destaque políticos sem qualquer consistência, ora produtos de marketing, ora meros profetas laicos que ganham a  vida moralizando a partir do medo e do ressentimento, vendendo a ilusão de um país que se pode fazer sem esforço, à custa de um "capital" que não existe.

 

Depois, porque o mundo assiste a uma escalada ideológica populista e acriticamente despesista, assente num "neo-keynesianismo" que deve estar a deixar o pobre Keynes a revolver-se no túmulo, que se auto-justifica numa crise financeira cujas raízes são olímpicamente ignoradas, mas que permite que se recupere a ideia falsa de que é na restrição das liberdades e na submissão aos poderes públicos e aos seus iluminados agentes que os povos encontrarão o caminho da riqueza e da felicidade.

 

Finalmente, porque encontro na actual direcção do PSD algumas pessoas por quem tenho grande amizade e consideração, que respeito profundamente pelo seu percurso profissional, cívico e político, e que sei que representam, no actual estado das coisas, uma janela de esperança. É o caso do Paulo Rangel, que conheço desde longa data, um dos melhores da sua geração.

 

Professor universitário dedicado e carismático, jurista de grande capacidade, pessoa dotada de uma cultura geral invulgar, desde sempre o Paulo Rangel soube ser um dos melhores entre os melhores. Tê-lo como cabeça de lista de um partido como o PSD, numas eleições Europeias - uma das suas áreas de maior interesse e dedicação - é um privilégio, sobretudo quando nos habituámos a olhar para os candidatos com o desdém e o desprezo de quem tem de escolher algures no eixo da mediania.

 

De vez em quando, é bom olhar para a política, e ter na primeira linha alguém que tem sido, desde sempre, um dos melhores entre os melhores. Este blogue optou por sublimar numa "papa myzena" um belo momento publicitário que o Ministro Manuel Pinho recuperou para a alta política, como só ele o sabe fazer; mas, já que estamos na era do "marketing", o mote da candidatura do PSD a estas eleições, dada a qualidade dos seus candidatos, bem que poderia ser, "para quê algodão quando pode ter seda?".

 

Minhas amigas e meus amigos, para quê algodão quando podemos ter seda


publicado por Rodrigo Adão da Fonseca às 00:29
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5 comentários:
De Teresa Silva a 15 de Maio de 2009 às 09:39
Adorei a ultima frase e se me dá licença acrescento "para quê algodão podemos ter seda, linho e renda de bilros" finalmente alguém de fibra no PSD - Viva Sá Carneiro Sempre.


De Sr. Obelix a 15 de Maio de 2009 às 10:33
Caro Rodrigo,

espero que tenha razão. A verdade é que ainda não conseguiu passar essa mensagem para o público... Espero que ainda vá a tempo, pois o país bem precisa!

Cump

Sr. Obelix


De MAF a 15 de Maio de 2009 às 15:37
Caro Rodrigo,
Excelente post! força Rangel! :-)
MAF


De anjo a 16 de Maio de 2009 às 08:47
Tenho do de si porque vc nao tem sol !


De José dos Santos a 18 de Maio de 2009 às 01:12
Com todo o respeito, não vejo nada de especial no Senhor Candidato Paulo Rangel. Mero licenciado como muitos outros, Assistente a 33% na Católica do Porto, que provavelmente já terá nascido com uma estrelinha na testa e o "rabinho virado para a Lua".

Posso estar enganado, mas do que li deste senhor, do que dele oiço na TV, ainda tem de labutar muito para ser alguém no mundo académico e no mundo político.

Acho particularmente interessante a biografia do dito na Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Rangel). Outro Sócrates... Fez as provas de Doutoramento ao domingo no ido ano de 1999?

Se queriam Seda em lugar de mera Sarja, tinham muito por onde escolher no PSD. Só entre Doutores (com tese e provas de doutoramento feitas) há mais de 20 com muito mais qualidade e prestígio que o Licenciado Rangel.

José dos Santos
Köln - Deutschland


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