Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
No fundo, estou em busca de novos tempos risonhos

Em tempos mais risonhos sempre que relembrava ou revia (o que lá por casa sucede com frequência) o Rt. Hon. Jim Hacker perorar sobre "the future of our children, and our children´s children", no Yes, (Prime-)Minister, inevitavelmente acompanhado pelo seu ar pomposo de estadista acidental, com a mão direita a entrar pelo casaco, qual Napolão, ou pousando na corrente do relógio de bolso, qual Churchill, e brindado com os sorrisos contidos de Sir Humphrey e de Bernard ou o riso descarado da sua mulher, a minha gargalhada era inevitável. Agora, e os talentos dramáticos de Paul Eddington sem culpa nenhuma, sempre que "the future of our children, and our children´s children" é mencionado, suspiro. De preocupação pelo tal futuro dos meus filhos e dos filhos dos meus filhos (e, empaticamente, pelos filhos, e etc., dos outros também).

 

Perdoem-me começar a escrever aqui no blogue com esta nota doméstica, mas a verdade é que quando Manuela Ferreira Leite afirma que as opções socialistas pelas grandes obras públicas significam o "empobrecimento irreversível" do país, não está a ser apocalíptica, mas realista. E eu preocupo-me, pelo já exposto acima. O governo socialista tem grandes responsabilidades pela fragilidade da nossa economia: a carga fiscal aumentou de forma brutal desde 2005; a despesa pública (corrente e total) cresceu em todos os anos apesar da propaganda da contenção orçamental e sem que tenha sido notada pelo cidadão mais atento e pleno de boa-vontade alguma melhoria nos serviços públicos; a dívida pública inchou e quase rebenta; em 2009, e pela primeira vez, o Estado deverá gastar mais de metade do que todos produzimos; enfim, as empresas, em especial as PMEs, foram deixadas exangues, o desemprego não diminuiu, o investimento declinou. As empresas exportadoras, que até à contracção da procura nos seus mercados estrangeiros haviam conseguido aumentar o valor exportado, fizeram esta proeza pela baixa das margens de comercialização e não por ganhos de produtividade (como conseguiriam?) - o que presentemente as deixa especialmente vulneráveis. Ora no cimo de tudo isto ( e 'isto' é obra criativa do governo Sócrates) pretender que a solução para Portugal passa por uma mão-cheia de obras públicas de grande porte - num país que teve em tempos défice de infraestruturas que, contudo, já foi colmatado - que vão endividar o país e as gerações futuras durante décadas (além das distorções que criarão em vários mercados) são simplesmente isso: perigosas e receita para empobrecimento. É vital que a voracidade-barra-rapacidade do Estado socialista pelos recursos dos particulares e das empresas seja rejeitado e é, como primeira motivação (as restantes ficam para posts seguintes, a bem de um comprimento de post respeitoso para com os estimados leitores), também para isso que quero aqui contribuir.


publicado por Maria João Marques às 10:23
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5 comentários:
De Sr. Obelix a 15 de Maio de 2009 às 10:44
Cara Maria João,

é com muito gosto que leio o seu primeiro post. Foi anunciado por alguns como o inicio do fim do mundo.

A verdade é que o escreve parece o fim do mundo.

Concordo consigo em absoluto e quando olhamos para o nosso crescimento económico nos últimos 20 anos, dá-me vontade de ir para Espanha.

Escrevia à pouco num comentário ao Rodrigo Adão da Fonseca, que Paulo Rangel - mas também Manuela Ferreira Leite - ainda não conseguiram passar para o público em geral a grandeza do que podem dar ao país. A pergunta é, com a urgência de mudança em que Portugal está, como fazer ver que o PSD é a única alternativa credivel?

Cump.

Sr. Obelix


De Maria João Marques a 15 de Maio de 2009 às 12:53
Caro Sr. Obelix, espero não contribuir para o princípio do fim mas, como dizia Churchill, o fim do princípio - sendo o princípio esta política desastrosa da esquerda despesista que temos suportado.


De Maria João Marques a 15 de Maio de 2009 às 12:59
Continuando: o PSD começou tarde a fazer oposição (lembremo-nos do que foi LFM) e tem desvantagem, mas os fracassos socráticos são visíveis e podemos contar com essa realidade. MFL só tem de continuar a ser realista como tem sido, com propostas aparentemente de pequeno alcance mas que resolvem embróglios à maior parte das famílias e empresas.

Cumps.


De anónimo a 15 de Maio de 2009 às 10:56
teste


De Nana a 16 de Maio de 2009 às 15:49
Olá, eu sou a Nana. Podes divulgar os meus blog, s.f.f? http://ararasempenas.blogs.sapo.pt e http://historiasdanana.blogs.sapo.pt ? Se quiseres eu faço o mesmo. Bjs, Nana


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