Rangel, uma agradável surpresa
Maio 13, 2009
Quando foi anunciado o nome de Paulo Rangel como cabeça-de-lista do PSD às Europeias, franzi o sobrolho. Pareceu-me um erro de Manuela Ferreira Leite: escolher um candidato com um currículo político reduzido, desconhecido do grande público e com um mediatismo muito inferior a outros nomes (como Marques Mendes, por exemplo). Sei hoje que me enganei redondamente.
Rangel tem demonstrado uma enorme combatividade, conhecimento dos temas, e um grande carácter pessoal. Tem denunciado o falhanço dos socialistas na aplicação dos fundos europeus, que poderiam servir de mais-valia num momento de grande dificuldade. Tem mostrado como essa incompetência é sinal de uma governação interna medíocre, que exige uma condenação severa nas urnas, mesmo sendo a eleição de 7 de Junho de cariz “externo”. Tem defendido o aprofundamento do projecto europeu, na sua componente institucional, mas também na sua dimensão propriamente política e social. Tem sublinhado que os esforços de regulação económica devem contudo salvaguardar o valor da iniciativa privada, e alertado para os perigos de uma excessiva “governamentalização” da sociedade, que prenuncia abusos contra os direitos individuais dos cidadãos. E tem, por fim, revelado qualidades morais e pessoais que valorizam o exercício da política e merecem um elogio rasgado, numa época onde a corrupção e a mediocridade são regra.