Nos últimos dias tem-se notado uma curiosa escalada nas reacções do PS às intervenções do PSD, nomeadamente de Paulo Rangel, patente numa espécie de concurso entre ministros e o candidato Vital Moreira. Os participantes têm vindo a lutar entre si na ânsia de ganhar o cobiçado prémio de quem mais agrada ao poderoso chefe, que por sua vez, ainda que mergulhado até à cabeça na campanha, se tem abstido do mesmo tipo de discurso.
Não é por acaso que é o chefe e sabe bem que deve se resguardar de certos papéis.
Sejamos claros, o PS não tem tradição no tipo de discurso adoptado, se há coisa que horrorizaria o “velho” PS seria adoptar as tácticas daqueles que combateram no passado, nomeadamente o PC. Já o “novo” PS, cheio de velhos arrependidos do PC, “homens novos” a quem se pediu uma confiança que claramente não mereceram (parafraseando VPV), não tem problema nenhum com isto. No entanto, também é verdade que o “novo” PS é o herdeiro directo do deserto que reinou nos anos que passou na oposição a Cavaco Silva e como no deserto o que cresce é obrigatoriamente oportunista sob pena de não sobreviver, assim foi no PS.
Posso não apreciar as figuras do “velho” PS por muitas razões mas estou convencido que jamais aceitariam com gosto o tipo de discurso de campanha que o “novo” PS deixa passar.
Certo é que os tempos são outros, as lealdades há muito que deixaram de ser a ideais ou – no caso do PSD – a ideias sobre o exercício do Poder. No caso do PS actual as lealdades estão reduzidas ao concurso grotesco de quem mais ajuda o chefe a manter-se no Poder, logo não são os meios que estão em causa ou são questionados.
Claro que os socialistas que não alinham neste estado de coisas terão a justa recompensa pela deslealdade, como Lello deixou bem claro ainda hoje.