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Papa Myzena

Há quem tenha a cabeça no lugar

Maio 29, 2009

Nos últimos dias tem-se notado uma curiosa escalada nas reacções do PS às intervenções do PSD, nomeadamente de Paulo Rangel, patente numa espécie de concurso entre ministros e o candidato Vital Moreira. Os participantes têm vindo a lutar entre si na ânsia de ganhar o cobiçado prémio de quem mais agrada ao poderoso chefe, que por sua vez, ainda que mergulhado até à cabeça na campanha, se tem abstido do mesmo tipo de discurso.

 

Não é por acaso que é o chefe e sabe bem que deve se resguardar de certos papéis.

Sejamos claros, o PS não tem tradição no tipo de discurso adoptado, se há coisa que horrorizaria o “velho” PS seria adoptar as tácticas daqueles que combateram no passado, nomeadamente o PC. Já o “novo” PS, cheio de velhos arrependidos do PC, “homens novos” a quem se pediu uma confiança que claramente não mereceram (parafraseando VPV), não tem problema nenhum com isto. No entanto, também é verdade que o “novo” PS é o herdeiro directo do deserto que reinou nos anos que passou na oposição a Cavaco Silva e como no deserto o que cresce é obrigatoriamente oportunista sob pena de não sobreviver, assim foi no PS.

 

Posso não apreciar as figuras do “velho” PS por muitas razões mas estou convencido que jamais aceitariam com gosto o tipo de discurso de campanha que o “novo” PS deixa passar.

 

Certo é que os tempos são outros, as lealdades há muito que deixaram de ser a ideais ou – no caso do PSD – a ideias sobre o exercício do Poder. No caso do PS actual as lealdades estão reduzidas ao concurso grotesco de quem mais ajuda o chefe a manter-se no Poder, logo não são os meios que estão em causa ou são questionados.

 

Claro que os socialistas que não alinham neste estado de coisas terão a justa recompensa pela deslealdade, como Lello deixou bem claro ainda hoje.

 

Um cheirinho do passado

Maio 29, 2009

O candidato principal do PS às eleições de 7 de Junho disse ontem à noite que os principais envolvidos na “roubalheira” do BPN são “figuras gradas do PSD”. A conclusão, que o próprio pôs a salvo com uma elegância muito própria, atrás de um “certamente por acaso” não lhe deixa dúvidas o que é de assinalar.

 

Não sei se Évora acordou em Vital Moreira as origens intelectuais ao ponto de cair neste disparate, com que o PS pactua e aplaude, mas sabemos que -  para acabar ao estilo dos seus anos 70 - desafiou os social-democratas a pronunciarem-se sobre o que classifica de “escândalo” e “vergonha”.

 

Estas indignações de Vital Moreira são de saudar, imagino-o com o mesmo entusiasmo e de dedinho em riste a questionar no gabinete de Sua Excelência o Senhor Primeiro-Ministro, o amado chefinho, sobre o Freeport, Lopes da Mota, a licenciatura, as casinhas lá da terrinha e a Cova da Beira. Nem me passa pela cabeça que já não o tenha feito de bigode eriçado e tudo.

 

Quanto ao que seria importante, anunciou eufórico a reabertura das minas de São Domingos, fechadas há 30 anos é certo, mas recordemos que a posição geográfica do candidato o transportou temporalmente o mesmo número de anos para o passado, o que justifica a confusão.

 

O reino da opacidade

Maio 28, 2009

A proposta de Vital Moreira de criação de um imposto europeu fala por si e pela tradicional falta de criatividade política dos socialistas europeus, incapazes de resolver qualquer problema que não seja pelo encaixe de mais dinheiro dos contribuintes.


Mas essa proposta fala também pela arrogância dos nossos socialistas, alimentada pelo nosso Primeiro-Ministro, que parecem julgar democraticamente aceitável que um candidato apenas concretize as suas propostas uma vez eleito.

Claro que, vindo de quem achava que os portugueses eram uma cambada de analfabetos incapazes de perceber o que estava em causa no Tratado de Lisboa, a coisa não espanta. O que espanta, isso sim, é que Vital Moreira e os socialistas percam tempo a falar da transparência das candidaturas dos outros quando à sua volta, de Elisa Ferreira a propostas não concretizadas, reina a opacidade.

 

Adolfo Mesquita Nunes

Empate técnico? O tanas!

Maio 26, 2009

Desculpem lá, mas nessa não me apanham, não existem empates técnicos no dia 7 e logo razões para andarmos aos pulinhos. Existe incerteza nos resultados e isso não me deixa satisfeito. A verdade dos números só me diz duas coisas que importam: O PSD pode perder as eleições, o PS pode perder as eleições.

- Ah! Mas as margens de erro e patatipatatá!
As margens de erro não me vão dizer nada no dia 8 pela manhã. Interessa saber quem ganhou, quem perdeu e porquê.

Paulo Rangel, encabeça uma lista, um projecto e ideias. Até agora conseguiu passar duas mensagens que eram fundamentais, a da chegada de uma nova geração à política portuguesa e por conseguinte a da utilidade em votar na competência e preparação dessa nova geração. A geração Maizena, a que os Manueis Pinhos desta vida detestam.

Vital é o mais desejado contraponto a tudo isto, é o exemplo de um homem supostamente competente auto-reduzido, em primeiro lugar, a um vulgar acólito do chefe e depois a uma espécie de pajem que lá caminha atrás do dito que – por inépcia do pajem – vem agora tomar as rédeas da campanha.

Não me venham então maçar-me com contas que só se farão no fim,  num domingo antes de uma semana de calor e sol, dois feriados e dinheiro no bolso.

 

Aqui só há um voto útil e esse é no PSD, a vitória do PS premeia o chefinho e os Manueis Pinhos da política.  

Fantástico Mundo Socrático

Maio 24, 2009

"Quanto mais desemprego, melhor para eles; quanto mais recessão, melhor para eles", declarou, por seu turno, Vital Moreira. "Enquanto o PS se concentra no combate à crise, as oposições unem-se no combate ao PS. Com eles, o país já teria naufragado, sem remédio".


JN

 

Ah...o eles, os maus que desejam mais desemprego porque é melhor para as suas ambições, que aplaudem a recessão porque prejudica o governo. Governo que anda concentrado a combater a crise e eles, sempre eles, a combater o PS, concluíndo depois com a inevitável alusão a naufrágios irremediáveis...um naufrágio remediável era menos eficaz, suponho.

 

Eis porque Vital Moreira me espanta como escolha para cabeça de lista e ao mesmo tempo essa escolha se vê, neste exemplo, plenamente justificada.

 

Vital partilha com José Sócrates a mesma visão sobre quem se opõe, usa os mesmos argumentos ad hominem e o mesmo primarismo. Com sucesso, a julgar pelo entusiasmo com que alguma blogosfera repete a mesma táctica com gosto e afinco.

Enquanto isso, as oposições, o PSD, a Manuela e os myzeneiros esfregam as mãos com o desemprego, enquanto saem do Eleven, cada no seu Aston (o meu é um Jag xk 140, porque tenho muito e posso mais)  a fumar charutos. De repente um myzeneiro pergunta timidamente  "oh! Mas não acham que estamos errados?". Todos rimos, batemos nas costas uns dos outros e alguém grita: "queremos é os portugueses a morrer de fome que isso é bom para nós!" e todos aplaudem entusiasticamente.

 

Todos não, porque Rangel arrancou no seu DB9 novinho, com os pneus a chiar e ele a rir. Obviamente.

A vital questão

Maio 22, 2009

Já não me lembro bem que escreveu, mas julgo que foi VPV, a propósito da entrada de Zita Seabra no PSD, das saídas de Judas e Vital Moreira do PCP, que só à direita é que essas "transferências" eram vistas com simpatia. Á esquerda, ninguém veria com bons olhos a chegada de alguém da direita, Roseta nunca teria sido realmente bem aceite, como há pouco tempo Freitas do Amaral teria sido simplesmente tolerado.

 

Quanto aos comunistas, a coisa era ainda mais clara, tais casos não se  distinguiram na prática dos traidores dos valores do Partido que dele saíram para se estabelecerem junto da burguesia.

 

É por isso que sempre me espantou a escolha de Vital Moreira. Não agradava ao centro mais politizado que nunca deixou de o ver como alguém que demorou décadas para perceber o que era claro desde 21 de Agosto de 1968, nem à extrema-esquerda que nunca o deixou de ver como um traidor à causa e aos valores.

Porque raio terá Sócrates escolhido uma figura tão controversa para cabeça de lista? Sócrates é um animal político - não é necessariamente um elogio mas a constatação de uma realidade - se a escolha de Vital não se deve à sua alegada competência, que mesmo que fosse um facto incontroverso, não é uma qualidade que necessariamente atrai votos, qual é a vantagem de Vital para Sócrates?

 

Houve quem me defendesse que a escolha destinava-se a justificar uma possível derrota, duvido. Estas não são apenas eleições europeias, são muito mais que isso, Sócrates sabe disso muitíssimo bem e ou está confiante que a data da mesma, conjugada com a enorme abstenção que se prevê, acabe por dar uma vitória ao PS, ou há algo que ainda não vimos que redima o PS aos olhos do eleitorado.

Um bom tónico com os dois pés na terra

Maio 21, 2009

A propósito desta troca de argumentos entre o Nuno e o João, gostaria de lembrar que na actualidade o laicismo enfrenta grandes dificuldades no Médio Oriente, nos que têm constituições escritas só dois não incluem a referência ao Islão como religião do Estado. O Líbano, que deixou de ser um exemplo quer de laicismo quer de tolerância religiosa e a Turquia, que mantendo em termos genéricos a separação são visíveis sinais de recuo nesta matéria.

Não nos podemos esquecer que durante mil anos o Islão foi a única fonte de um conjunto de regras e princípios aceites por todos, o esforço da Turquia em impedir fenómenos como os registados em outros países da região não é de menosprezar e não sei se não será de apoiar de forma mais clara.

Assim, por um lado temos uma nação que evitou fenómenos como a criação de um clero político e administrativo (a palavra clero não é mais indicada aqui) ou a figura dos aiatolas, um título absolutamente estranho ao Islão clássico mas que justificou a construção de uma hierarquia eclesiástica nova e a até a criação de uma nova versão da Inquisição. Por outro lado, temos um país como a Turquia que conseguiu criar e manter uma sociedade civil, que não é apenas um conjunto de pessoas que não pertencem ao corpo militar, mas uma verdadeira sociedade.

Por fim, se o Islão perdeu a guerra cultural pouco depois do fim da Idade Média, a Europa não encontra – como Rangel lembrou bem no caso da Rússia – exemplos da cultura turca que tenham uma marca profunda na europeia, na verdade e pondo de parte Donizetti nem a Europa parece ter tido grande influência cultural na Turquia.

Confesso a minha simpatia pelo país que mais esforço fez ao longo da história recente para se aproximar o espaço europeu.

 

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