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Papa Myzena

Uma realidade inconveniente

Junho 05, 2009

Há cerca de um mês, tanto os socialistas quanto os opositores internos de Manuela Ferreira Leite (incluo aqui jornalistas e comentadores próximos) diziam que o PSD estava perdido e que só valia a pena discutir se o PS ia ou não ter maioria absoluta nas legislativas. Agora, já dizem que o PSD tem obrigação de ganhar as europeias, que de um momento para o outro se tornaram "fáceis", porque se ficar a dois ou três pontos percentuais de um PS a 10% da maioria absoluta “compromete” as hipóteses de ganhar as legislativas daqui a quatro meses. E se Sócrates ganhar vai ser caso único na Europa (tirando Sarkozy e Berlusconi, mas isso não interessa porque são de direita) já que se sabe que agora os eleitorados punem os governantes em funções quando há um mês, segundo esses "analistas", se refugiavam neles contra a crise. Ah, já me esquecia, e Manuela Ferreira Leite, que tem que continuar a ser uma "má política",  parece que não tem nada a ver com a escolha de Paulo Rangel...Se não houvesse gente séria que se deixa levar por estas manipulações grosseiras, até dava vontade de rir.

Uma luta urgente

Junho 03, 2009

Os males do País são muitas vezes atribuídos aos partidos do “centrão”,  PS e PSD, que, com a contribuição ocasional do CDS, têm estado no Governo desde o 25 de Abril. Que outros partidos de menor dimensão peçam alternativas é natural, mas quando se vê “independentes” a clamar pelo mesmo, é caso para perguntar: mas o que é que há para além de PS e PSD? Há a esquerda do PC e do Bloco, mas pô-los a governar é um óbvio suicídio nacional, por razões que me dispenso de comentar. Há ainda os pequenos partidos, alguns dos quais interessantes (só me ocorre o Partido da Terra, mas enfim…), mas também é óbvia a sua falta de preparação para exercer o poder.
Resta, portanto, o CDS, que tem gente competente, mas que sofre de um mal incurável. Tendo nascido no esquerdismo pós-revolucionário, era então composto sobretudo por pessoas que o integravam “porque não havia nada mais à direita”. Digamos que como discurso não só era muito pobre como colocava o CDS numa posição algo revanchista e passadista, que afastava quem preferia lutar por um democracia moderna em Portugal. É claro que dirigentes como Freitas do Amaral (justiça lhe seja feita), Amaro da Costa, Lucas Pires e Adriano Moreira, entre outros, conseguiram que essa posição evoluísse e hoje ninguém põe em dúvida a perfeita integração do CDS no regime democrático. Mas já tinham perdido a ocasião de ocupar um espaço mais relevante à direita e o PSD conquistou a posição de maior partido não-socialista.
Hoje, o CDS só consegue chegar ao poder em coligação, mas para tal (a não ser que entre em alianças contranatura com os socialistas) precisa que o PSD seja o partido mais votado. Ou seja, precisa de tirar votos ao partido que o pode conduzir ao poder e que enfrenta o PS de modo concreto. Alguns poderão argumentar com a pureza ideológica dos centristas contra o “albergue espanhol” não-socialista que é o PSD, mas afinal qual é a “ideologia” do CDS? Democrata-cristão? Liberal? Conservador apenas? Ou, mais provavelmente, uma mistura de tudo isso e muito mais, com a mesma falta de nitidez ideológica de que acusam o PSD?
O PS teve o mérito de, no início, ter lutado contra a esquerda não democrática, mas, principalmente com Guterres e agora com Sócrates, ter demonstrado uma enorme falta de preparação para governar. O PSD, apesar de todos os defeitos e insuficiências, tem sido o partido que, sobretudo com Sá Carneiro e Cavaco, melhor governou Portugal. São, portanto, partidos bastante diferentes e colocá-los no mesmo plano não é correcto.
A luta do PSD tem, no entanto, duas frentes. Uma, óbvia, contra os socialistas. A outra é interna e passa por colocar nos lugares de poder do partido gente capaz, civilizada e que está na política pelos bons motivos. Gente como Paulo Rangel. 
É evidente que o CDS tem todo o direito a existir, mas não seria mais profícuo que os bons quadros que tem fossem aliados das pessoas que dentro do PSD lutam pelos melhores do partido e que poderão pôr fim ao descalabro socialista? É que esta luta é urgente e deixa em segundo plano "afectividades" e sentimentos de pertença a grupos.
 

Quero lá saber dos abstencionistas

Junho 01, 2009

Sempre que as eleições se aproximam, lá vem a mesma conversa, geralmente da boca de comentadores de ar grave, como se o futuro da democracia dependesse das suas análises: “não admira que as pessoas se desinteressem da política e se abstenham”. Pois a mim admira-me imenso que alguém se abstenha e sobretudo que veja nisso uma atitude a ser seguida. Eu próprio, em tempos que já lá vão e por circunstâncias próprias da minha opção profissional pelo jornalismo, fui abstencionista, mas nunca andei a maçar ninguém com isso. Nunca recomendei a alguém que fizesse o mesmo e, acima de tudo, nunca achei que a culpa fosse dos políticos, como aquelas crianças malcriadas que fazem birra só porque os adultos não conseguem inventar nada que lhes possa agradar.
Nestas eleições europeias, os cinco principais partidos portugueses têm candidatos conhecedores e dignos (como gosto desta generalização, vou esquecer o inacreditável discurso de Vital Moreira sobre a “roubalheira”, provavelmente sugerido por algum assessor mais excitado…), que defendem pontos de vista muito diversos, que incluem prós e contras tratado de Lisboa, referendos ou punição para quem os prometeu e depois não os fez, federalismo e anti-federalismo e muitas outras questões, sem falar daquelas que dizem mais respeito ao âmbito nacional. E também para já não falar dos pequenos partidos, onde também há várias propostas à disposição dos eleitores.
O problema não será assim de falta de opções, mas antes de um certo “bom tom” que faz com que muita gente mostre repugnância pela “política”, pelos “partidos”, como se vivessem entre tratados de filosofia política e ensaios sobre a Europa e lhe custasse descer ao nível dos políticos, votando neles. Ora o que eu mais vejo entre os abstencionistas, com alguma excepções evidentemente, são preguiçosos e hedonistas de terceira categoria, que não se interessem por nada a não ser o seu pequeno mundo, que se recusam a pensar em algo que fuja ao seu interesse directo, que não abdicam nem que seja por uma hora (para irem votar) da praia, das compras ou da comezaina com os amigos.
É claro que eles têm todo o direito de se absterem, mas porque é que alguém os deve respeitar politicamente? Porque é que os políticos têm que fazer um esforço para lhes agradar? Isso quer dizer que a abstenção vai ser muito elevada? Pois que seja. Já no passado assim foi e isso não tirou legitimidade ao Parlamento Europeu. Se as pessoas podem votar e não querem, o que mais faltava é que nós, os que nos damos ao trabalho de participar na vida política da nossa sociedade e vamos votar, fossemos afectados por quem prefere ficar de fora a dizer mal de tudo, incapaz de mexer uma palha para que as coisas melhorem. E que ainda por cima quer ser “reconhecida” por isso.
 

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