Os discursos de Sócrates tendem a ser um conjunto desinteressante de chavões sem adesão à história e à realidade, mas mesmo com uma espécie de efeito de anestesia que vem da habituação, não deixa de impressionar as palavras vazias que recriam um imaginário de terror de uma qualquer juventude partidária no seu pior estereótipo. Disse Sócrates em Valência que queria uma "Europa mais forte, que só se faz com os socialistas". Está dito, está dito, ou com eles ou vamos todos fraquejar. E porquê? Ora olhando para a história da UE há um conjunto de personagens históricas não socialistas que são autênticos pilares da chamada "construção europeia", como Jean Monnet ou Robert Schuman, portanto não é pelo passado. Olhando para o presente e para alguns dos principais dossiers como o Euro, a continuação do aprofundamento do mercado único nos serviços ou o alargamento a Leste não se percebe de que exclusiva visão socialista fala Sócrates. Fala de nada, portanto, mas fala. Isto tem um nome.